Um dia lindo e inesquecível. Não tenho palavras para agradecer.

O dia começou com um aperto no peito. Às três da manhã… Dificilmente iria conseguir dormir mais. Mas ainda tentei. É dia de ir para o Mar e isso nunca será natural para mim. As despedidas. As saudades. O risco.

Durante a noite, enquanto dormia, senti o vento a aumentar contra as janelas e nas folhas das árvores. Eu já sabia que hoje iria estar bastante vento. Mas tanto? Rebolei na cama até às 7am. Finalmente levantei-me. Metódicamente cumpri cada etapa da manhã. Não me podia esquecer de nada. Segui para Peniche para um dos momentos mais bonitos da minha vida. E para navegar para o Brasil, à vela, sozinho.

A missa das 11am, na Igreja de São Pedro, foi celebrada pelo Prior de Peniche, o Padre Diogo. No primeiro Domingo do mês a Missa é dedicada às crianças e foi maravilhoso ver a sua alegria enquanto cantavam. Por diversas vezes, o Padre Diogo mencionou que hoje também dedicava esta Missa ao sucesso da minha viagem rumo ao Brasil. Senti-me grato e reconfortado por isso. No final da Missa chamou-me para junto dele, para receber a Imagem da Nossa Senhora, a mesma que transportei a pé de Fátima até Peniche. De repente, centenas de pessoas de pé, começaram a bater palmas. Entre caras amigas de pessoas que não conheço, vi muitas lágrimas. Neste instante também comecei a chorar e as lágrimas não pararam durante muito tempo. Saí da Igreja pelo meio da multidão e o Padre Diogo pediu-me para permanecer à porta até que todos saissem. Foram muitas as pessoas me deram um beijo, um abraço e me desejaram boa viagem. Entre muitas lágrimas e palavras de Fé, Paz e Amor, juntos caminhámos até ao nosso veleiro. Olho para trás, imaginando cerca de 20 ou 30 pessoas. Mas não. Eram mais de 100! Uma alegria imensa no meu coração. Já na marina recebemos dos fiéis dezenas de flores brancas que foram colocadas no veleiro. De repente tudo estava a ser cumprido como sonhei. Mas nesta terra de ondas, pesca e muito Mar, as pessoas perecebem de ventos e marés e não tardou até que muitos locais, incluíndo o Padre Diogo, questionassem se seria seguiro eu partir hoje para o Brasil. O mar estava muito bonito, afectado pelo vento forte. As ondas nem estavam muito grandes mas o vento estava realmente muito forte. Embora da direcção certa para rumar a sul, o vento estava tão forte que nem era possível sair com o barco do pontão onde estava amarrado! Dediquei algum tempo a estudar a meteorologia com a minha equipa. Hoje até podia aproveitar o vento forte para rumar a sul rapidamente, e sentia-me confiante em fazê-lo. Mas daqui a uns dias o mar vai estar enorme, precisamente onde estariamos se partisse hoje. E assim, tomámos a decisão de ficar em terra mais uns dias. Ao contrário de outros projectos, esta Missão não tem pressa de chegar. Apenas queremos chegar bem. Embora inicialmente triste e frustrado por não partir, decidi focar nos momentos bons e inesquecíveis que hoje vivemos e na imensa gratidão que sinto por todo o apoio e carinho que hoje senti. Muito obrigado a todos. Muito obrigado Peniche! Estamos juntos!